Camaçari registra aumento nos casos de abuso sexual infantil e Conselho Tutelar reforça importância da denúncia

Crédito da Imagem: Foto de Igor Santiago

Conselho Tutelar alerta para sinais de violência, reforça canais de denúncia e orienta famílias sobre a importância da prevenção e acolhimento.

Camaçari enfrenta um cenário alarmante no que diz respeito à violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo o Conselho Tutelar, o número de casos tem aumentado e acende um alerta para toda a comunidade. Professores, familiares e vizinhos são peças-chave na identificação dos primeiros sinais de abuso e no processo de denúncia, que é sempre anônima.

A coordenadora do Conselho Tutelar de Camaçari, Tamires Vargas, destacou a importância de quebrar o silêncio e denunciar.

“É importante saber que as pessoas não têm aquele receio, aquele medo de denunciar e que as demandas têm chegado ao Conselho Tutelar e não ficado recolhidas ou escondidas no seio familiar, como antes acontecia.”

Ela explica que a prevenção é um dos caminhos mais eficazes para coibir a violência.

“A gente sempre pode trabalhar com medidas de prevenção, que é conscientizar e sensibilizar as crianças e adolescentes, falar sobre a importância do conhecer, do não permitir que toquem no seu corpo, que são campanhas de prevenção.”

Mudança de comportamento é sinal de alerta

Uma das principais formas de identificar que algo está errado é observar mudanças no comportamento das crianças e adolescentes.

“Aquela criança que era mais calada, mais introvertida pode ficar mais extrovertida. Já a criança comunicativa pode se isolar ou apresentar um comportamento mais sexualizado. Quando há uma mudança brusca, principalmente percebida por quem convive diariamente, é um alerta de que algo pode ter acontecido”, explicou a coordenadora.

Formas de abuso e aliciamento

De acordo com Tamires Vargas, muitos casos que chegam ao Conselho Tutelar envolvem aliciamento.

“Uma criança ou adolescente violentado sexualmente, em casos de penetração, é facilmente identificado em exame de corpo de delito. Mas no aliciamento, como toques, passadas de mão, sentar no colo ou falas de cunho sexual, a comprovação é mais difícil. Muitas vezes é a fala da criança contra a do abusador, que usa ameaças para silenciar a vítima.”

Canais de denúncia

O Conselho Tutelar reforça que qualquer pessoa pode denunciar, mesmo sob suspeita. E todas as denúncias são anônimas.

Disque 100-Direitos Humanos

WhatsApp do Conselho Tutelar: (71) 9 9979-5634

E-mail: ct.camacari@gmail.com

O fluxo após a denúncia

Uma vez registrada a denúncia, o caso é encaminhado para diferentes órgãos, a depender da gravidade.

“Encaminhamos para a delegacia, para a escuta especializada, para o CREAS, e em casos graves, pode ser solicitado o depoimento especial. A delegacia assume a investigação, enquanto a rede de proteção garante acompanhamento psicológico e social à vítima.”

Com a Lei da Escuta Especializada, as crianças e adolescentes não são mais obrigados a repetir diversas vezes o relato da violência, o que antes provocava revitimização. Agora, o depoimento é feito apenas uma vez, em ambiente preparado para preservar sua integridade.

Papel da família na recuperação

Além da atuação da rede de proteção, a família exerce papel decisivo no processo de recuperação.

“Você recupera essa criança quando não a revitimiza. Ficar perguntando ou tentando fazer com que ela relembre a violência só traz sofrimento. É importante mostrar que a vida continua, que ela tem uma perspectiva de futuro. Quanto mais natural a família lidar com a situação, melhor será para a recuperação da vítima”, reforçou a coordenadora.

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